CABALA

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O TERCEIRO PILAR

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© 2006 - Direitos Autorais: Wilson A de Mello Franco.  LEI 9610 dos Direitos Autorais de 1998.

               

VIVENCIANDO OS CAMINHOS DA CABALA: COMO O HOMEM MORTAL PODE CONHECER  A VERDADE SOBRE O SEU VERDADEIRO EU

 

                             

      A bondade de Deus é muito grande. Ele nos deu a oportunidade de conhecermos a Verdade mesmo enquanto estamos nesta pequena vida. A Cabalá é o meio para deixarmos de ser homem mortal e fraco frente a todos os desafios impostos pela vida e nos transformarmos em senhores de nosso destino, conhecedores do conhecimento oculto.   

 

MALKUT - O REINO -  Malkut é o reino dentro do qual estamos vivendo. Dentro desse reino, o cabalista não precisa de um templo para adorar um Deus: "Não sabeis que vosso corpo é um templo onde habita o espírito de Deus" (São Paulo). Tudo é criação. E nesse reino o homem, ao mesmo tempo que é parte da criação, também a cria. A mística de Malkut é sentir-se um com o todo, sentir o universo, o eu no você.

 

IESOD - A FUNDAÇÃO OU LIMITE - É onde termina o que nós podemos ver, tocar ou sentir da criação. É o limite entre esse e o outro mundo. Ele é a divisão entre os dois mundos, os dois grandes caminhos do universo; por isso é a fundação. IESOD é as fronteiras do homem.

 

NETZAH - A VITÓRIA  -  Não se trata da vitória sobre os outros, mas da vitória mística, a vitória eterna. A vitória mencionada por Budha: "A maior vitória que um homem pode conseguir é a vitória sobre si mesmo". Ao passar por IESOD, chega-se à Vitória. Mas essa passagem e chegada não significam que o místico está vitorioso, pois o homem tem muitas vitórias e fracassos. NETZAH significa que ele não voltou atrás (PECHAD), sobrepujou o tempo e o espaço.

 

PECHAD - MEDO ou PECADO -  É o a esfera da falha, do medo frente à Vitória. Se na Vitória é como diz a Bíblia: "Em todo lugar onde eu fizer celebrar a memória do meu nome, virei a ti e te abençoarei" (Êxodo, 20: 24), em PECHAD se pode citar: "Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te, e volta à prática das primeiras obras; e se não, venho a ti e moverei do teu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas". (Apocalipse, 2: 4). PECHAD é a saída da Caminho da Verdade, a vitória da ilusão - da Sombra (Imagem) sobre a Luz. Em PECHAD nós somos nós, e os outros são os outros. Não existe unidade (ECHAD) entre eu e você, entre eu e os outros. Nós, aparentemente, não somos filhos de Deus. 

 

HOD - A GLÓRIA - A Glória é a paz a que o místico chega depois da Vitória. Uma glória sem conceito de glória, mas uma plataforma num plano mais elevado onde conceitos perdem o sentido. Com a glória o homem pode entender TIFERETH - A Beleza. Toda beleza que tem conceito perde o seu valor em HOD. O homem pode se guiar pela glória, querendo alcançar o sucesso e ser glorificado pelos homens. A glória é para vivermos com homens mortais. Mas o homem mortal que quer se transcender deve transcender a beleza para entender a Glória. 

 

 TIFERETH - A BELEZA ou GRAÇA -  A Beleza é um caminho por onde se começa a caminhar deixando para trás a glória estática. A beleza sempre se move e se transmuta. Poucos podem ver o que há por trás da beleza. Quando você olha uma árvore,  o que vê? Quando você olha um animal, o que vê? Quando você se olha no espelho, o que vê? A BELEZA diversificada de Deus. A Beleza é também o prazer, sem os quais a nossa vida vida não tem graça.  Em TIFERETH termina uma etapa e começa outra. Nesse ponto o místico já não vê separação, já não vê diversificação, mas união. O judeu não é judeu, o negro não é negro, a mulher (se você for homem) não é mulher, o católico não é católico e nem o muçulmano é muçulmano.

 

   HESOD - A MISERICÓRDIA OU MAGNIFICÊNCIA - É aonde o místico sente pela primeira vez a união entre o eu e o tu, através da beleza, do tempo e do espaço. É aonde o místico divide sua comunhão com Deus com o tu. Tem que passar pelo tu, pelo outro, senão não chegará a Kether. É aonde o místico compartilha a sua beleza. Mas a Misericórdia é mais que uma ajuda, é sentir-se a pessoa, unir-se à sua alma, ao seu espírito e com ela formar uma só força, porque sem união (HESED) não há força. O homem tem assimilar seu Ego não como força de domínio, mas como força de união.

 

COCHMA - A SABEDORIA SUPERIOR - Nessa esfera, o místico já não é um homem comum; descobriu a Verdade. E esse é o maior dos segredos que um homem pode descobrir. O dinheiro de Aleister Crowley não comprou este segredo.

Em Cochma a verdade o libertou: "Conhecei a verdade e ela vos libertará" - expressa-se o Divino Mestre quando está em presença de Pilatos, no drama de seu julgamento. Quando Pilatos pergunta o que é a Verdade, o Divino Mestre se cala, sob a pena do açoite e da morte na cruz, porque este é um segredo dos iniciados. 

Quem revela a verdade a um que não a merece, literalmente morre, e morre quem a ouviu, porque é um segredo ocultista que não se liga ao dinheiro, ao mal expresso abertamente no mundo. A Verdade é o poder oculto, capaz de transformar chumbo em ouro, literalmente.    

O homem que atingiu COCHMA já não age pela sua natureza, mas pela divindade. Aqui o homem está muito mais para seu Cristo que para o mundo. Aqui o homem se tornou filho de Deus, inverteu os pólos e colocou o céu acima da terra, esteve na mansão dos mortos desceu ao inferno e ressuscitou no terceiro dia. Desceu da cruz e subiu ao céu. Em Cochma o místico deu testemunho da Verdade.  

 

BINAH - INTELIGÊNCIA ou ESPÍRITO -  Binah é a inteligência - a grande inteligência que surge como luz, no mais alto misticismo. É a inteligência divina que conduz a Kether. 

Nós fomos, nós somos, nós seremos, e, no entanto não fomos e não seremos, mas unicamente SOMOS. E somos a SOMA = 15 de nós mesmos. E a SOMA do que fomos é o grande segredo desta vida, nossa Verdade, que liberta e escraviza enquanto não a conhecemos: "Conhecei a Verdade ela vos libertará". Por isso temos tantas mentiras se passando por verdade, mas a Verdade é um segredo conhecido dos iniciados: "Eu revelo os meus mistérios aos que são dignos" (Jesus). Mas para nós, mortais, viventes no EGO = 15, a verdade, que é um segredo, e apenas uma palavra antônimo de mentira. A

 

 KETHER - A COROA  -  É a esfera da sabedoria, da inteligência divina, onde tudo se une, onde tudo perde o conceito, e o místico sente apenas um brilho, como que uma coroa que o rodeia, ininteligível e incompreensível. O resplendor do Buda e como o aro de luz que se vê retrato na cabeça dos santos da Ecclesia.

 

Veja também:  INTRODUÇÃO À GEMATRIA  - A Árvore da Vida: A que une dois mundos

 

                                                                  CONTINUA