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      Cabala & OCULTISMO

 

               Por Wilson A de Mello Franco    

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    Kabbalah, Qabbala, Cabala, cabbala, cabbalah, kabala, Cabala, kabbala – são estas as formas que aparecem grafadas – tem por pronúncia correta cabalá, e do ponto de vista ocultista, a forma Kabalah é a mais correta para se grafar em português, porque seu “peso numérico” resulta em 15, que é a chave da Cabala. 

 

    Em hebraico é escrita QBLH (transcrição latina), e seu “peso numérico é 137 = 11, que representam os 11 nomes sagrados de D-us associados com as sefirot (esferas) da Árvore da Vida. A Cabala pode ser ligada ao Tarot, e este, com seus 22 arcanos maiores, ligados às 22 letras do alefbeit (alfabeto) hebraico, consideradas “sagradas”. Essas letras também representam números, exatamente por isso são consideradas sagradas, pois as palavras, ou frases (por conseguinte os nomes pessoais) têm o seu “peso numérico”, que dá o sentido de sua função. 

 

  Em hebraico Cabala quer dizer recepção, usada em qualquer forma (recepção de hotel, por exemplo), mas em termos de ensino significa passar do mestre ao neófito. Porém, em termos de ocultismo, quer dizer “espíritos de Deus” e cada “esfera” (círculo) é um “espírito”. O leigo dificilmente compreenderá este sentido oculto, porque está condicionado pela religião ortodoxa, a qual é exotérica, ou seja, a contraparte do esotérico, o sagrado e afastado do vulgo. 

 

 

            A FUNÇÃO DA CABALA

 

     É revelar D-us e o Universo, e é uma revelação para eleger santos de um passado remoto. Deste modo, na Cabala é absolutamente incongruente qualquer crença que descarta a reencarnação, ou que não dá ao homem a semelhança de Deus, ainda que, como imagem, seu destino é o cemitério, palavra grega que quer dizer dormitório, e que, decomposta, se faz semi (metade) + tério (besta, animal): o homem é composto de duas “metades” (conforme nos revela a Bíblia), imagem e semelhança de D-us, e o que vai para o cemitério é a metade BE-STA, o ANY-MAL humano. O que diferencia o homem do animal, por exemplo do macaco ou do cachorro, é seu inteligente TEITAN (= 20 arcano o Julgamento. Do grego TITAN = 15, os gigantes, pelo hebraico nephilim, os que foram precipitados do céu).

 

     Entre todos os animais neste planeta, somente o homem julga, e o fato de poder julgar o torna co-criador com a Divindade, que não é separada dele. Este segredo é preservado pelos iniciados, e é por isso que Cabala quer dizer também revelação, no sentido de passar (ser revelado) de um a outro, isto é, do mestre ao discípulo. O mestre saberá ler a mente do discípulo a ponto de saber suas reais intenções, e desta forma o segredo nunca é revelado para um indigno. Mas, supondo que o fosse, morreriam mestre e ouvinte(s), antes que o segredo fosse divulgado, porque assim está determinado pela Lei.

 

 

      UMA REUNIÃO DE TODO O CONHECIMENTO

 

 

        A Cabala reúne platonismo e filosofia neopitagórica, misticismo universal, gnosticismo e, sobretudo, expõe em código a doutrina empírica do judaísmo que, para nós, cristãos, é o Velho Testamento. Está ligada, principalmente, à Lei, Torah, judaica. Mas é um erro enormemente crasso associar sumariamente Cabala ao judaísmo, e interpretá-la como parte deste. Até porque o próprio judaísmo ortodoxo discorda da posição filosófica assumida pela Cabala, e muitos rabinos ortodoxos consideram-na uma heresia. O que não é de se espantar, pois em todas as religiões os arcontes procedem do mesmo jeito.

 

      A Cabala é tão-somente o nome que o ocultismo recebe no judaísmo, mas em hipótese alguma é o judaísmo. Para nós, cristãos, o judaísmo está intimamente ligado à nossa religião. O correto seria dizer: a religião cristã se apropriou e evoluiu da religião judaica. Mas eu não considero isso uma apropriação indevida, mas um complemento, pois todas as religiões tem uma mesma base, o ocultismo, muito mais explícito na religião judaica do que em qualquer outra. A Cabala tão-somente interpreta esse ocultismo da religião judaica, de um modo nem sempre tão acessível ao leigo, de modo que nos faz lembrar as sábias palavras do Divino Mestre: "Não deis aos cães o que é sagrado, pois pisotearão tudo, e ainda se voltarão contra vós". Quão sábia é esta frase do Divino Mestre, pois em toda parte vemos pseudocristãos atacando aqueles que não compartilham suas crenças e tudo aquilo que não se enquadra em sua concepção, transferindo um demonismo que a eles é próprio aos outros, esquecendo completamente do segundo maior ensinamento do Divino Mestre: "Não julgueis" (porque o primeiro é "Amarás a teu próximo como a ti mesmo"). Ao julgar se colocam no lugar de Deus, e quem julga certamente nada tem de Deus.

 

Cabala é, portanto, o nome que o ocultismo recebe no judaísmo, mas não é – e jamais será – o judaísmo em si. É muito diferente, apesar de tão próximos. A Cabala complementa o judaísmo místico, assim como o sufi complementa o islamismo místico. Há que se levar em consideração que o próprio Pentateuco (a base da religião judaica, a Torah ou Lei) é um manual de ocultismo escrito supostamente por Moisés, e a Cabala se constitui justamente em um meio de decodificar a Lei. Porque a Lei não é somente a civil, mas se estende também à Lei da Vida, que é o código secreto guardado pelos cabalistas.

 

                    

                                        

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