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A ARTE DA GEMATRIA NA CABALA
Por Wilson A de Mello Franco
Uma das principais facetas do pilar interpretativo oculto da Cabala, além dos quatro elementares já referidos, é a gematria, a arte de atribuir “peso numérico” as palavras, ou determinar a mátria [a natureza, a matrix] da palavra. Para compreender bem o que é este procedimento, primeiro a pessoa precisa entender que número não é número no sentido de algarismo que popularmente lhe damos, mas tem o sentido que se aplica ao título do quarto livro do Pentateuco, chamado apropriada e ocultamente de Números, o qual antecede o Deuteronômio (literalmente, A Segunda Lei – porque o homem é regido por duas “NOM-IAS” - Leis). Um bom começo para se ter uma idéia do que realmente é número seria procurar em uma boa enciclopédia ou dicionário o significado da palavra número. No meu dicionário Michaelis há o equivalente a duas páginas e meia de livro em definições. Por aí já se pode perceber o valor do uso desta palavra no ocultismo da Cabala. Os números perfazem a primeira e mais elevada NOMIA do H-OMEN = 5 + 21 = 26, ou 96 = 15, sendo o 15 um holograma do 26, de modo que "como é em cima é em baixo". Essa é nomia ou circunscrição de ROMA = 13 (arcano A Morte). A Deutero Nomia (segunda Lei) é a que Jesus veio nos lembrar, a nomia do AMOR (= anagrama de ROMA) de modo que o Divino Mestre disse: "Não vim destruir a (primeira) Lei, vim fazê-la cumprir", isto é, completá-la, rememorar-nos a fazer a MISTIS (união) entre elas, através do AMOR. Porque as nomias (circunscrições) do homem são separadas, e uma age como se não tivesse conhecimento da outra (porque as dimensões são diferentes: "Meu reino não é deste mundo." - "Meu Pai tem muitas moradas", isto é, o homem é multidimensional), e elas são unidas pelo AMOR. Em Cabala se diz ir do 15 ao 26 passando pelo 9, e isto é o realizar do mistério cabalístico, que no catolicismo é a eucaristia, a lembrança da ressurreição do Mestre entre nós. Enquanto no catolicismo isso é feito exotericamente através do ritual celebrado pelo sacerdote, com o pão é o vinho, e a hóstia simbolizando os números, na Cabala isto é feito esotericamente, constituindo um procedimento oculto que gera resultados físicos, que na religião ortodoxa se diz "milagre". É evidente que para se conseguir um "milagre" não é preciso ser cabalista, pois Deus não complica as coisas - ao contrário, Deus é a simplicidade, e não é por acaso que o Divino Mestre disse que "O reino dos céus (a segunda nomia) é dos humildes". A diferença é que o cabalista tem conhecimento do modus operandi do "milagre": "Nunca lestes: SOIS DEUSES" - enquanto o fiel ortodoxo depende do acaso que normalmente se chama FÉ = 13 e 15. Quando desde o 13 (arcano A Morte) o 15 vai ao 26 através do 9, ocorre o "milagre". Quando o cabalista realiza o milagre ele viaja do 13 (a morte, o inferno) ao mesmo 13 (o renascimento, a ressurreição), de modo que se diz em gematria que o 13 é a partida para nova terras desconhecidas, e de modo que Jesus, de acordo com o Credo católico, desce aos infernos antes de ressuscitar dos mortos. Jesus não foi crucificado, mas outro morreu em seu lugar, assim como Abrahão substituiu seu filho Isaque por um carneiro no santo sacrifício. Tão-somente foi representado um drama no qual Jesus perfez o mistério sagrado. O Corão e os gnósticos afirmam que Jesus não foi crucificado, e este é justamente o ponto que um dia vai unir as três religiões, mais a aceitação do dogma da reencarnação, que trará as religiões orientais ao ecumenismo que, segundo muitos profetas, está prestes a ocorrer, ao menos por algumas décadas, até que os "azotonianos virão por fel no mel", segundo diz Nostradamus. Como diz Dan Brown, autor de O Código da Vinci, THE SECRET IS HOW TO DIE (O Segredo é saber como morrer). Esta é a frase de abertura de seu novo livro O Símbolo Perdido. E esta foi a representação de Jesus no Calvário: "
"Aquele que não nascer da água e do espírito [as duas nomias do H-OMEN] não verá o reino dos céus".
“Os inimigos do homem serão os [números] da sua própria casa. ... Se alguém quiser vir após a mim, a si mesmo se negue... e receberá muitas vezes mais, e herdará a vida eterna. Quem acha a sua vida, perdê-la-á; quem todavia, perde a sua vida por minha causa [do segunda nomia, a da vida eterna] , achá-la-á.” (Mateus: 10)
NOME = NÚMERO
Comparativamente: em francês número se diz nombre; e nombre em espanhol é nome. Então número = nome. É isso mesmo, ainda que da forma como coloco pareça um sofisma. A primeira regra na gematria diz que uma palavra com a mesma numeração (ou, como prefiro dizer, de mesmo "peso numérico") tem o mesmo sentido se pertencente ao mesmo "espírito". Cada língua, evidentemente, tem suas idiossincrasias numéricas, mesmo as línguas que usam pictogramas, como o chinês e o japonês. Quem disser que é cabalista mas não conhece gematria não conhece nada de Cabala, porque a gematria é um dos pilares do ocultismo da Cabala. O que é chamado atualmente numerologia pitagórica, e pode ser encontrado em toda parte na Internet, nada tem a ver com numerologia da Cabala. Pitágoras foi cabalista. Veja AQUI porque Pitágoras não inventou o sistema pitagórico de numerologia, e muito menos o usou.
IDIOSSINCRASIAS EM CADA LÍNGUA
A gematria pode ser usada em qualquer língua, porém cada uma tem suas idiossincrasias que devem ser respeitadas. Em hebraico não se usam vogais, mas às vezes algumas consoantes fazem o papel de vogais. Também as palavras são escritas e lidas da direita para a esquerda, ao contrário da forma usada no ocidente. Como o hebraico não usa caracteres latinos, foram estabelecidas algumas regras de transcrição para o alfabeto latino, regras essas nem sempre respeitadas, ora por pessoas que não a conhecem, ora devido às diferenças nas línguas, particularmente entre o inglês, o espanhol e o português. Por exemplo: A transcrição como CHET lê-se quase como Rhét, ou seja, o CH é a transcrição para o som RR em português. Na verdade este som não existe em português, pois são RR tirados do fundo da garganta, como se a pessoa estivesse engasgada. Assim, SAMECH lê-se samérr (os dois rr pronunciados quase como em rosnar, e como se fosse rosnar desde o fundo da garganta). Samech é a nossa letra S, e Chet a letra H aspirada, que nem sempre é H, mas o nosso É (aberto), como em YHVH, que se lê (supostamente) Javé ou Jevé ou Jeová. Digo supostamente porque o nome de D-us é impronunciável em hebraico (isso é um princípio do ocultismo da Cabala) e, não havendo vogais, as três formas de pronúncia acima podem ser efetuadas em português. Um cabalista diria que nenhuma das formas de pronúncia do nome de D-us está correta, de modo que pessoalmente prefiro escrever ou transliterar YHVH por GEOVAH = 26 porque assim as numerações se equivalem.
UM PEQUENO EXEMPLO DE GEMATRIA EM PORTUGUÊS
DEUS = 315 = 9, e SILÊNCIO = 27 = 2 + 7 = 9
Então a palavra DEUS está relacionada com SILÊNCIO. Pois segundo o postulado da Cabala, palavras com o mesmo "peso numérico" estão espiritualmente conectadas. O leigo pode não ver nenhuma relação aí, mas para o cabalista há uma relação muito intensa. Quem quiser conhecer Deus obrigatoriamente terá que fazer silêncio em seu antiDeus. A gematria seria então uma espécie de dicionário codificado do oculto. É o pilar que eu mais gosto na Cabala, porque fornece muitos trunfos para a decodificação de textos bíblicos.
TORaH = tav (400) + resh (200) + vav (6) + hei (5) = 611 = 8
Este é o "peso numérico" da palavra TORaH em hebraico. Na transcrição o vav (ou vau) se torna a nossa vogal O (fechada), lembrando novamente que em hebraico não existem vogais, e que a transliteração poderia ser feita também assim: TVRaH, sendo este "V" (vav) algo como o U latino como em FORVM.
Em português: TORÁ = 17 = 8. Se numerarmos "em cheio", então = 611 também (400 + 6 + 200 + 5). NOTA: A não é = Á ou Ã. A Torá é a LEI = 36 = 9, portanto é sagrada.
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